MÚSICAS BRASILEIRAS COM REFERÊNCIAS FRANCESAS

Entrelaçadas nas letras de algumas músicas brasileiras, as referências francesas podem passar despercebidas. Nomes como Godard, Rimbaud e Henri Salvador aparecem em canções do Legião Urbana e Caetano Veloso, enquanto outras composições preferem uma menção mais velada, como no caso de La belle de jour, de Alceu Valença. Aqui vão cinco músicas que fazem alusão a alguma personalidade, obra de ficção ou literatura da França, e os motivos da sua referência na canção:

La belle de jour (Alceu Valença)

A moça bonita da praia de Boa Viagem é o tema de uma das mais conhecidas canções do pernambucano, com letra e ritmo que se completam de forma encantadora. Mas não foi em Recife que Alceu teve sua inspiração. Segundo o compositor, foi quando estava aproveitando a boemia em Paris, e acabou se deslumbrando com uma linda mulher que o olhava. Ele se lembrou, então, que ela era parecida com Catherine Deneuve, atriz francesa que atuou no filme “Belle de Jour”, de Luis Buñuel. Romântico, ele recuperou lembrança de outros amores, inclusive de uma ex namorada que foi morar na cidade luz. A união dessas mulheres, e também o carinho que guarda pela praia de Boa Viagem, deram o caminho – e o título! – para a canção nascer.

Joana francesa (Chico Buarque)

Daquelas preciosas músicas que conseguem unir duas línguas como se fossem uma só, Chico compôs a delicada Joana francesa para o filme homônimo de 1973, dirigido por Cacá Diegues. A história do longa é interpretada pela francesa Jeanne Moreau, que vive uma dona de prostíbulo em São Paulo, que larga tudo para viver com um coronel no Nordeste. A trilha, acompanhada calmamente pelo violão, fala do amor e brinca com palavras francesas e portuguesas, que se costuram e dançam entre si. O próprio verso “Acorda acorda acorda acorda acorda”, quando cantado, forma: “d’accord d’accord d’accord d’accord d’accord”, “de acordo” em francês. É interessante como as duas línguas parecem dar continuidade entre si, como se não fossem diferentes. Génial!

Eduardo e Mônica (Legião Urbana)

A música-história é um clássico, e o casal Eduardo e Mônica faz parte da memória afetiva de muita gente. Os dois, tão diferentes, são o mote da canção de quase 5 minutos, que vai contando de forma linear como se apaixonaram, desde a festa estranha com gente esquisita, até terem filhos. O cineasta francês Godard é citado no trecho: “O Eduardo sugeriu uma lanchonete, mas Mônica queria ver o filme do Godard”. Mônica, bem mais cult e estudiosa que Eduardo, devia gostar dos filmes inventivos do diretor, um dos mais provocadores da Nouvelle Vague. Outra referência, Rimbaud, poeta do simbolismo francês, também aparece no momento em que Renato Russo contrapõe os gostos do casal: “Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus / Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud / E o Eduardo gostava de novela / E jogava futebol-de-botão com seu avô”.

As flores do mal (Legião Urbana)

Intenso, Renato Russo encontrou inspiração para “As flores do mal” no panteão dos “poetas malditos”, como eram chamados os franceses que desafiavam as regras da moral e bons costumes da época. A referência na canção não é apenas citada, como Godard e Rimbaud em “Eduardo e Mônica”, mas perdura em toda a essência da letra. Falando sobre as dores e farpas do amor, a mentira e a traição, Renato Russo se debruçou na obra Les Fleurs du Mal, do poeta Charles Baudelaire, para conseguir colocar suas mágoas em palavras. A obra, com trechos ácidos sobre a morte, o tédio e o erotismo, chegou a inclusive ter poemas proibidos, que só voltaram a circular em edições póstumas. O grupo Barão Vermelho também se apropriou da aura sombria do livro para compor a música Flores do Mal, de temática igualmente trágica.

Reconvexo (Caetano Veloso)

Quem não sentiu o suingue de Henri Salvador? Essa é uma das perguntas contidas em Reconvexo, música cheia de ginga, regravada também por Maria Bethânia. A referência a Salvador, famoso cantor e guitarrista de jazz francês, vem da relação estreita entre ele e o Brasil. Dizem que Tom Jobim teria sido influenciado pelo hit Dans mon île para escrever e ritmar suas canções no nascimento da bossa nova. A conexão com a brasilidade foi tanta que Salvador convidou Caetano e Gilberto Gil para duetos em seu álbum Révérance, de 2006, já no final da sua carreira titânica, que começou ainda nos longínquos anos 30.

 

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